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Especialistas respondem: por que esta chovendo tanto

 

Nas últimas duas semanas, choveu muito no litoral paranaense e  Catarinense. Mesmo tendo causado vários estragos no Paraná, algumas cidades catarinenses registraram maiores  impactos de deslizamentos e inundações.Especialistas  explicam por que chove tanto.

Desde o início do ano, por exemplo, foram registrados 572 milímetros de chuva em Florianópolis e 378 em Joinville. Apesar de apresentar quantidade bem acima da média do período, as chuvas fortes e constantes no verão e primavera não são novidade no Estado. A explicação está principalmente na posição geográfica. No entanto, o relevo, distribuição de bacias e rios em SC, além da ocupação desordenada, impulsionam impactos da chuva.

A meteorologista da Epagri/Ciram, Laura Rodrigues, lembra que Santa Catarina está em uma região de latitudes médias, posição geográfica favorável à passagem de sistemas de chuva durante todo o ano. Com frentes frias constantes, a região Sul também está no caminho do fluxo de umidade que vem da Amazônia. Esse sistema é o responsável pelas chuvas mais persistentes que se intensificam entre primavera e verão no Estado. Basicamente, nesta época do ano é o período de mais umidade e calor naquela região.

Os ventos trazem umidade, costeando a barreira criada pela Cordilheira dos Andes, até a região do Norte da Argentina e Paraguai. Ali, um sistema, chamado de baixa pressão, empurra parte dessa massa em direção ao Sul do país, formando áreas de instabilidade:

– Esse “transporte” vindo lá da região amazônica é a causa daqueles eventos de precipitação mais duradoura, de dois a três dias – destaca o doutor em meteorologia Dirceu Severo.

Outros fatores também estão diretamente relacionados a essa maior quantidade de chuva. No Litoral, no verão a água do oceano aquece com as altas temperaturas, evapora e forma mais nuvens. O professor responsável pelo laboratório de Climatologia da Univali, Sergey Alex de Araujo, explica que esse processo resulta no que se chama chuva de verão, que é mais intensa e passageira. Araujo acrescenta ainda que o relevo também impacta neste cenário, já que a serra próxima ao litoral, uma característica de SC, cria uma barreira à umidade, que fica concentrada nesta região.

– Digamos que toda essa umidade fica presa aqui no Litoral, o que também pode ocasionar essas pancadas mal distribuídas. Em Joinville é comum a ocorrência dessas chuvas orográficas – as causadas pelo relevo.

O professor de Climatologia da Univille Paulo Ivo Koehntopp explica que a Serra do Mar está muito próxima da cidade. Diante disso, quando os ventos vêm do oceano carregados de umidade, ao tentar passar pela serra, encontram temperaturas mais baixas nas altitudes.

Por fim, a umidade se condensa e se transforma em chuva.Outros fatores que explicam a grande quantidade de chuva em SC são os fenômenos como o La Niña, que também impacta nos volumes de chuva acima da média ao longo dos meses do verão, principalmente nas regiões de Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e Norte.

Joinville está entre as cidades que costumam registrar alto volume de chuvas.

Além da quantidade de chuva elevada no verão e na primavera, outros fatores estão diretamente relacionados aos alagamentos, parte da história e rotina de muitos catarinenses. Um dos principais é a distribuição de rios e bacias hidrográficas. É um dos motivos que fazem Blumenau sofrer com constantes enchentes há tanto tempo – o maior pico foi registrado em 1880. Porém a inundação com maiores impactos foi a de 2008, quando 135 pessoas morreram na região.

O engenheiro hidrólogo da Furb Ademar Cordeiro lembra que o rio Itajaí-Açu circunda Blumenau e faz parte da Bacia Hidrográfica do Itajaí, maior bacia do Estado – engloba 16% do território catarinense. Essa bacia funciona como uma coletora da água, então recebe todo o acúmulo de chuva da região. A baixa declividade do rio, especialmente em Blumenau, causa inundação de ruas locais.

Cleomar Diesel

 

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