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Análise: Flamengo de Jesus atrai Inter para arapuca e é letal para abrir vantagem na Libertadores

Rubro-Negro não cai na pilha, mantém paciência diante de defesa fechada e mantém organização para ser eficiente quando Colorado se via dono da situação no Maracanã

Mesmo com mais de 60 mil vozes empurrando nas arquibancadas, o time de Jorge Jesus não se deixou levar pela emoção. Buscou o ataque, sim, o tempo todo, mas de forma ordenada. E se era difícil furar a retranca gaúcha, tinha consciência de que o 0 a 0 não era tão ruim assim. Sofrer gol em casa era proibido.

O Flamengo em momento algum se mandou ao ataque. A todo instante procurou espaços, procurou trabalhar as jogadas, procurou ditar o ritmo de um jogo que se não era ao seu feitio também não era perigoso. Característica de uma equipe madura – vital para um mata-mata.

Fosse no primeiro tempo com um baleado Arrascaeta ou no segundo com um acelerado Gerson, o Flamengo repetiu uma característica que já tinha ficado evidente no clássico com o Vasco: manter consolidada a estrutura coletiva para quando o talento individual pudesse entrar em ação. E assim foi.

O relógio já passava dos 70 minutos, e Odair Hellmann acreditou demais que tinha o adversário controlado. Lançou Wellington Silva e Nico Lopez, saiu para jogar, e deu o que o Flamengo esperava e precisava: campo.

Toques rápidos e verticais abriram o jogo e furaram a defesa há 500 minutos invicta. Filipe Luís, Éverton Ribeiro, Gabigol, Gerson… Todos tiveram participações importantes nos dois gols de Bruno Henrique com a mesma característica: o passe rápido e para frente.

O Flamengo de Jorge Jesus a cada dia dá mostras de evolução. O time intenso (maior cobrança do português) aprendeu a ser experiente, paciente e eficiente. O Inter sentiu na pele e terá que quebrar a cabeça para elaborar uma estratégia se quiser dar a virada na quarta que vem, no Beira-Rio.

Sem poder sofrer gol e tendo que tirar desvantagem de dois, o Colorado tem pela frente um adversário que aprendeu a se moldar durante os jogos, mas sem perder a característica ofensiva. É uma espécie de “se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come”.