Início Educação Após corte de verbas, alunos criam página para compartilhar ‘balbúrdia’ na UFPR

Após corte de verbas, alunos criam página para compartilhar ‘balbúrdia’ na UFPR

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Alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão divulgando os trabalhos realizados dentro da instituição para protestar contra o corte de 30% nas verbas anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) nesta semana.

Na página Registros de balbúrdia na UFPR, de uma forma bem-humorada, eles compartilham fotos dos estudantes, professores, pesquisadores e outras pessoas ligadas à universidade durante as aulas, projetos de extensão, pesquisas e outras iniciativas desenvolvidas na universidade.

O termo “balbúrdia” é uma referência a uma declaração do ministro Abraham Weintraub, que, recentemente, em entrevista ao O Estado de S. Paulo, afirmou que o MEC cortaria recursos de universidades que estivessem promovendo “balbúrdia” em seus câmpi.

Segundo um dos estudantes criadores da página, que pediu para não ter sua identidade revelada por medo de retaliações, a ideia surgiu após a UFPR informar que o corte pode inviabilizar suas atividades a partir do segundo semestre.

“Estávamos todos pasmos com a publicação de que as atividades na UFPR poderiam ser encerradas e ficamos muito bravos com a situação. Pensando em como poderíamos fazer algo significativo para ganhar visibilidade e tentar impedir esse corte, surgiu a ideia e fomos em frente, criando a página”, conta.

O material que vem sendo postado é enviado por alunos, professores, pesquisadores e outros membros da comunidade acadêmica.

“A gente tem recebido muito material, e estamos tentando responder todos e postar tudo o que nos mandam. Inclusive, pedimos desculpas se não conseguirmos responder ou postar tudo que nos enviaram, porque é bastante coisa mesmo”, afirma o estudante.

Em pouco mais de 24 horas, a página ultrapassou a marca de 10 mil curtidas, na tarde deste sábado (4).

Segundo o estudante, a iniciativa é importante porque “mostra como realmente é uma Universidade Federal, sua função (de servir a população) e sua aplicação direta na sociedade”.

“A parte da população que infelizmente nunca teve a oportunidade de frequentar uma universidade federal não sabe como é realmente lá dentro e acaba por ver, acreditar e propagar notícias falsas ou parciais, que mostram apenas um lado defeituoso da instituição, sendo que o benefício que ela traz é imensamente maior”, lamenta.

Cortes

Nesta semana, a universidade emitiu uma nota oficial na qual afirmou que o corte de 30% nas verbas – que representa cerca de R$ 48 milhões na UFPR – deve inviabilizar o pagamento de contas básicas, como água, luz e prestação de serviços, e isso pode comprometer o funcionamento da instituição já a partir de agosto.

Nesta sexta-feira (3), foi criado um núcleo jurídico

para estudar possíveis medidas contra o corte de recursos promovido pelo MEC.

Além da UFPR, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Instituto Federal do Paraná e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) também estão buscando apoio financeiro e também político contra a decisão.

O ministro da educação alega falta de dinheiro para justificar os cortes.

Outras iniciativas

Ao longo da semana, alunos e professores de universidades federais de todo o país compartilharam imagens e textos em protesto contra os cortes. Um deles, foi o professor Silvio Cunha, do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA), cuja publicação já tem mais de 15 mil compartilhamentos.

Na internet, a hashtag #oquevinauniversidadepublica reúne relatos de estudantes sobre pesquisas, projetos e estudos, mas também sobre a falta de materiais, precariedade de instalações, entre outras.

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