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Depoimentos de assassinos do ex-Coritiba Daniel são cheios de contradições

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O Crime que chocou o país está cheios de contradições. Edison Brittes Junior mora em São José dos Pinhais com a mulher, Cristiana Brittes, e a filha, Allana Brittes, onde espancou o jogador após, segundo ele, flagrá-lo no quarto com sua esposa, na manhã do sábado (27). Daniel estava na casa por conta da festa de aniversário de Allana. Ao se entregar, no entanto, Edison acusou o atleta de estupro.

A versão foi confirmada pelas duas mulheres, que também foram detidas com o pai, e se sustentou até esta terça-feira (6), quando o delegado da Polícia Civil de São José dos Pinhais e responsável pelo caso, Amadeu Trevisan, revelou o falso depoimento dos acusados e que já haviam reconstruído a cena do crime. Trevisan também afirmou que o crime poderia ter sido evitado pelos outros suspeitos de ajudar Edison, que ainda estão sendo identificados, e que Daniel não tinha a menor capacidade de reagir às agressões por conta da dosagem de álcool encontrada no corpo. A família será indiciada sob suspeita de homicídio qualificado e coação de testemunhas.

A história do brutal assassinato do jogador remete a 2017, quando Daniel disputou seis partidas pelo Coritiba, time da capital paranaense. Enquanto jogava lá, se tornou amigo de Allana Brittes, então uma adolescente da cidade. Conforme revelam posts públicos da jovem, o jogador esteve presente no aniversário de 17 anos dela, comemorado em outubro do ano passado. Um ano depois, Daniel, de folga do seu clube de Sorocaba-SP por conta de uma lesão, viajou a Curitiba para comemorar a maioridade de Allana. A festa foi da madrugada de sexta (26) até a manhã de sábado (27), dia do assassinato, quando o atleta saiu de uma balada na cidade para continuar bebendo com os amigos na casa da aniversariante.

É na casa de Allana, onde também estavam os pais Edison e Cristiana, que a história ganha versões conflitantes. Conforme mostram prints tirados de uma conversa com um amigo no WhatsApp, às 8h15 da manhã Daniel revelou a intenção de se arriscar na casa: “Vou comer a mãe da aniversariante. E o pai tá junto”. Daniel foi até o quarto da mãe, que já estava deitada na cama —o marido não estava no quarto— e mandou imagens para o conhecido ao lado da mulher desacordada. 15 minutos depois, outra mensagem: “Comi ela, moleque”, com a foto de ambos deitados. O jogador parou de responder às 8h36. A partir desse momento, ele teria sido flagrado no quarto ao lado da mulher por Edison e espancado pelo marido e mais três pessoas. De lá, foi levado ao porta-malas do carro do dono da casa, que também portava uma faca. O corpo, mutilado, só foi achado no domingo.

Durante o período de sumiço, no final de semana, Allana esteve em contato com a mãe de Daniel, uma tia e um amigo do jogador. A eles, segundo mostram prints de conversas no celular revelados pela família, trouxe a versão de que o atleta foi até a sua casa após a balada, onde teria ficado o tempo inteiro no celular e saído, andando normalmente, depois das 8h da manhã. A menina negou que qualquer briga tivesse acontecido. Quando foi avisada sobre a morte do jogador, se disse chocada e se prontificou a reconhecer o corpo no IML local. Allana ainda prestou homenagens a Daniel em sua rede social. Em vídeo divulgado posteriormente pela TV Bandeirantes, a jovem se contradiz ao reformular sua versão dos fatos; segundo ela, teria visto a tentativa de estupro de Daniel com Cristiana Brittes após ouvir uma “gritaria” vinda do quarto, contemplando a versão de defesa do pai. Mesmo com a foto pública do seu aniversário de 17 anos ao lado do meia, ela afirmou que o conhecia há menos de um ano.

Parentes de Daniel ainda revelam que, dois dias antes da confissão, Edison ligou para a mãe de Daniel desejando condolências e prometendo ajudar na investigação, sem revelar o assassinato.  O pai se viu obrigado a confessar depois que uma testemunha da briga na casa dos Brittes foi até a delegacia para denunciar que Edison teria reunido e ameaçado os presentes durante a agressão para persuadi-los a contar uma versão alterada dos fatos. A testemunha foi a primeira a confirmar a gritaria no quarto onde Cristiana estava e a surra em Daniel.

Edison, Cristiane e Allana seguem presos em São José dos Pinhais. A Polícia Civil ouviu outras testemunhas nesta terça-feira (6) e o depoimento do autor do crime na quarta (7). Os outros suspeitos que presenciaram o espancamento ainda são procurados. A faca do crime, as roupas e o celular do Daniel ainda não foram encontrados.