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Ministério da Saúde envia metade das doses e deixa postos do Paraná sem vacina BCG

São necessárias 90 mil doses da vacina, mas o Ministério encaminhou apenas 45 mil para atender a rotina referente ao mês de setembro.

O Ministério da Saúde enviou metade das doses necessárias para a vacinação mensal da BCG no Paraná. A informação foi confirmada pela SESA (Secretaria de Estado da Saúde). São necessárias 90 mil doses da vacina, mas o Ministério encaminhou apenas 45 mil para atender a rotina referente ao mês de setembro.

O envio das doses foi reduzido desde fevereiro, quando apenas 30 mil vacinas da BCG foram enviadas. O documento de envio ainda mostra que o Paraná não recebeu nenhuma dose do medicamento em abril. Conforme a médica Acácia Nasr, coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SESA, a justificativa é que o Ministério da Saúde precisou adaptar a sistemática de envio.

“Recebemos um quantitativo menor porque o laboratório que fornecia ao Ministério da Saúde teve que passar por uma adaptação em função das boas práticas em vacina”, conta.

“Cada vez que sai um lote, eles têm que passar por avaliação de qualidade. E o Ministério, para suprir essa falta, comprou de um laboratório indiano. Isso também tem que passar por avaliação para ser fornecido para a população. Isso fez com que houvesse um atraso no encaminhamento dessas vacinas para os estados”, completa.

A vacina do BCG confere proteção contra tuberculose miliar e meningite tuberculosa. Segundo o calendário vacinal, crianças a partir do nascimento até os 4 anos 11 meses e 29 dias deve ser imunizada.

De acordo com a Secretaria, em função das poucas doses, está sendo feito um plano de remanejamento nos municípios.

“Estamos trabalhando com logística mesmo. O que nós temos feito é otimizar o uso, fazendo o agendamento das crianças para que nossas equipes façam a busca ativa da vacinação da BCG”, diz Acácia Nasr.

Além disso, as salas da vacinação estão sendo orientadas a fazer uma listagem das crianças pela ordem de procura pela vacina.

“Não haverá surto dessas doenças. Nós estamos atentos e capacitando as nossas equipes para que não haja perdas evitáveis das vacinas. A orientação é fazer uma lista das pessoas que procuram as unidades de Saúde e não há essa vacina”, finaliza a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da SESA.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde informou que parte das doses não foram distribuídas em todo o país por passarem por um processo de análise de qualidade. Mesmo assim, em agosto, foi feito um envio maior do medicamento para os estados para tentar suprir a demanda de desabastecimento dos meses anteriores.