Início Litoral Polícia prende quadrilha especializada no golpe da falsa venda de imóveis no...

Polícia prende quadrilha especializada no golpe da falsa venda de imóveis no Paraná

523

Polícia Civil do Paraná cumpre nesta terça-feira (12) oito mandados de prisão contra integrantes de duas quadrilhas distintas, ambas suspeitas de aplicar o golpe da falsa venda de imóveis no Litoral do Paraná. Os suspeitos utilizavam documentos falsos para ludibriar as vítimas e consumar as vendas fraudulentas. A operação das quadrilhas era independente, mas o modo de ação parecido. As prisões serão feitas em Mandirituba, Colombo, Curitiba e no Litoral do Paraná.

A primeira quadrilha seria comandada por uma transexual, identificada pelo nome social Luisa Zaza Fernandes da Conceição, de 48 anos, da qual também fazia parte, seu companheiro Sérgio José dos Santos, 48 anos; Geraldo Magela Esmério, 29 anos; Edson Lopes dos Santos, 83 anos; e Silvana Natel Glaser, 52 anos.

Luisa, Sérgio José e Esmério passavam-se por proprietários e corretores, respectivamente, de um imóvel localizado no Balneário Guaciara, em Matinhos. O trio criou um anúncio, ofertando a falsa propriedade, em um site de compra e venda da internet, e atraiu as vítimas. Após demonstrar interesse no imóvel, as vítimas entravam em contato e começaram a negociar com os suspeitos.

Após diversas tratativas, elas marcaram de concluir a compra e formalizar o contrato em um escritório, situado no bairro Flamingo, em Matinhos, que Esmério utilizava para atender pessoas que caíam no golpe. No local, Luisa, passando-se por proprietária do imóvel, e as vítimas, assinaram um Instrumento Particular de Compra e Venda. Diante do fato, todos deslocaram-se para um cartório localizado em Mandirituba, ao invés de um cartório de Matinhos, para realizar a parte burocrática da tramitação.

Ao serem questionados, pelas vítimas, da razão pela qual fariam a Escritura Pública de Compra e Venda em um cartório de Mandirituba e não de Matinhos, o suspeito respondeu que só faziam procedimentos ali, pois os servidores do local eram seus amigos e por isso teriam preferência no atendimento e ainda receberiam descontos especiais na documentação.

Ao chegarem no local, Edson, tabelião do cartório, já estava aguardando a quadrilha para dar suporte na consumação do golpe, junto de Silvana, escrevente juramentada, que lavrou a Escritura Pública de Compra e Venda do imóvel fraudulento. O imóvel havia sido anunciado por R$80 mil. As vítimas deram um sinal de R$5 mil para a reserva e pagaram R$25 mil em cheque, no ato da assinatura do Instrumento Particular de Compra e Venda.

Conforme apurado, no momento da assinatura da escritura pública, embora as vítimas tivessem solicitado, os suspeitos não realizaram a apresentação de documentos que comprovassem a propriedade do imóvel adquirido, afirmando que posteriormente iriam apresentar escrituras e certidões pertinentes. Posteriormente, ao pesquisar em registros públicos, perceberam que teriam sido vítimas de uma fraude e que o imóvel seria de propriedade de uma construtora, a qual teria sido objeto de execução judicial e estaria registrado como sendo de propriedade da União Federal.

Diante do fato, a equipe procurou a Polícia Civil, que deu início às investigações no mês de outubro de 2018. Após um intenso trabalho de inteligência conseguiu identificar e localizar os suspeitos.

A segunda quadrilha não possui ligações com o grupo anterior e era composta por Marco Antônio Aparecido da Silva, conhecido como “Marquinhos do Albatroz”, de 42 anos, Kely Tania Bezerra Ramos, 27 anos, e Talita Aparecida de Bona da Silva, 35 anos. Eles são suspeitos de vender terrenos e até uma fazenda utilizando documentos falsos em Matinhos, Litoral do Estado.

De acordo com a Polícia, os suspeitos chegaram a vender uma única propriedade, localizada no Balneário Albatroz, para diversas pessoas ao mesmo tempo. As investigações apontam que as vítimas teriam pago valores entre R$1 mil e R$15 mil por cada lote. Os valores eram pagos em dinheiro diretamente para “Marquinhos do Albatroz” ou depositado em contas bancárias de Kely.

Os suspeitos levavam as vítimas ao escritório de Talita, onde assinavam um documento intitulado “Compromisso Particular de Compra e Venda”. Isso foi feito sem que as vítimas tivessem qualquer assistência jurídica, bem como, sem ter conhecimento e informações corretas a respeito da burocracia de aquisição de um imóvel. Os suspeitos também realizavam reuniões com as vítimas, nas quais apresentavam a necessidade de se abrir vias públicas no local e cobravam R$250 por cada lote adquirido. Valores pagos diretamente a Marquinhos e Kely.

Embora os fatos tivessem ocorrido entre os anos de 2015 e 2018, somente no ano passado as vítimas tiveram conhecimento de que caíram em um golpe, pois foram tentar realizar melhorias nos terrenos e foram impedidas por um amigo do verdadeiro proprietário do local, que confirmou para as vítimas que esse golpe era recorrente ali. Ao tomar conhecimento dos fatos, a Polícia iniciou todas as diligências para identificar e prender o grupo criminoso.

De acordo com as investigações esse golpe já conta com mais de dez vítimas e o prejuízo é de aproximadamente R$100 mil, até o momento. As investigações devem continuar com o intuito de identificar outras vítimas e responsabilizar todas as pessoas envolvidas com o crime.

Informações: Tribuna do Paraná