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Reconhecimento: uma necessidade humana

Como minha primeira coluna para a Rádio Litorânea, refleti muito sobre o tema, e acredito que o melhor é discorrer sobre o que mais me impacta nas relações humanas: a necessidade de ser visto pelo outro, de ser Reconhecido.

Minha atuação profissional é baseada na teoria da Análise Transacional, criada por Eric Berne. Essa teoria aponta o Reconhecimento como uma necessidade humana básica, tanto quanto outras que conhecemos como a sede, fome, sono e etc. Ou seja, se ela não for atendida, adoecemos podendo chegar a morte.

Por Reconhecimento entende-se o re-conhecer, o ver de novo, o ver o outro mais além. O de reconhecer sua presença.

Algo bem atual é estarmos fisicamente junto com alguém, mas mexendo no celular. Podemos dizer que estamos juntos, mas não oferecemos reconhecimento ao outro e nem recebemos dele também, pois não estamos efetivamente presentes. Nossa atenção não é para o outro. Não separamos o nosso tempo para o outro. Isso está adoecendo os relacionamentos e os indivíduos, consequentemente.

A busca pelo reconhecimento organiza nossa rotina, nos mantem (ou não) em condições de viver no aqui e agora, e ainda regula nossa saúde física e emocional. Precisamos manter nosso nível de reconhecimento constante. Se não for possível fazê-lo com reconhecimento positivo, que abastece de forma construtiva o individuo e suas relações, buscamos o reconhecimento negativo, aquele que fere, adoece, separa, que não leva o individuo a sua autonomia.

E como está seu abastecimento de reconhecimento?

Como está a qualidade do reconhecimento em suas relações?

Estamos oferecendo que tipo de “alimento” a quem nos rodeia e é importante?

Estamos fazendo isso conscientemente, ou deixando-nos levar por uma sensação de escassez, na qual vale a crença de que só quem faz muito por merecer recebe o reconhecimento, se fez o normal não fez mais do que a obrigação?

Você dá aos outros o que gostaria de receber?

Psicóloga Renata Alves Gava

CRP 08/11953