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Servidores em greve ocupam a Assembleia do PR

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Os servidores estaduais em greve ocuparam a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta quarta-feira (9) para reivindicar o direito à data-base. Paralisados desde o dia 25 de junho, eles denunciam uma defasagem salarial de 17% – resultado de quatro anos de vencimentos congelados. Para retomar as atividades, os trabalhadores pedem pelo menos a recomposição da inflação do último ano, calculada em 4,94% pelo índice IPCA.

Após um ato unificado que reuniu milhares de servidores no Centro Cívico, representantes de várias categorias assistiam à sessão plenária na Alep. Eles aguardavam as discussões relacionadas às pautas da greve. Inflamados pelo discurso do deputado missionário Ricardo Arruda (PSL), contrário às manifestações, os trabalhadores passaram a ocupar as demais galerias do Plenário. A sessão foi interrompida por cerca de meia hora.

O parlamentar usou seu tempo na tribuna para rebater argumento dos servidores e afirmou que os salários do funcionalismo público aumentaram acima da inflação. O deputado apresentou cálculos que levam em conta as promoções e progressões de carreira, ignorando o fato de que os vencimentos não são reajustados desde 2016.

A fala do deputado do PSL revoltou os servidores que acompanhavam a sessão no Plenário e fez com que centenas de pessoas que acompanhavam as discussões do lado de fora da Assembleia Legislativa ocupassem o prédio do Legislativo. O missionário reagiu às manifestações com ironia.

“Que Deus tenha misericórdia de quem vaiou”, disse, ainda na tribuna. “Presidente [Ademar Traiano]: peça um minuto de silêncio para essa turma aí. Eu não tenho pressa. Estou bem à vontade, bem tranquilo”, completou.

Aos gritos de “covardes” e “vergonha”, os deputados viram a sessão plenária ser interrompida por cerca de meia hora, enquanto os servidores tomavam as galerias do prédio. A sessão chegou a ser retomada, mas foi encerrada por Ademar Traino (PSDB).

O presidente da Casa marcou para a reabertura das discussões para esta quinta-feira (10). Os trabalhos serão retomados às 10h. Os servidores prometem acompanhar a sessão dentro das galerias do Plenário.

“Sem a data-base aprovada ninguém sai”

Mesmo com a sessão encerrada na Assembleia Legislativa do Paraná, os trabalhadores continuaram a ocupar as galerias. “Sem a data-base aprovada ninguém sai”, gritavam os manifestantes, em coro. Depois de 15 dias de paralisação, os servidores ainda aguardam por uma nova proposta do governo estadual.

Os grevistas pedem ao menos a recomposição da inflação dos últimos 12 meses (4,94%). O Palácio Iguaçu fez uma primeira proposta de reajuste de 0,5% a partir de outubro de 2019; depois aumentou a oferta para 2%, mas apenas a partir de janeiro de 2020. As duas propostas foram recusadas pelos servidores.